"Como calculamos o lucro: o que conta e o que descartamos"
Uma metodologia aberta em vez de promessas. Quais marketplaces não contam como vendedor e por quê, como os preços-fantasma são filtrados, o que a regra do "N contra um" faz e onde fica a linha entre um anúncio e uma venda real — com números de quantos negócios cada regra removeu.
Por que publicar uma metodologia
Todo serviço de comparação de preços mostra uma coluna de "lucro". Quase ninguém explica de onde vem esse número — o que é conveniente, porque os números mais bonitos nessas tabelas costumam significar um erro, não um achado.
Decidimos fazer o contrário e publicar as regras junto com o preço de cada uma: quantos negócios a regra removeu e quanto "lucro" desapareceu junto. Os números abaixo vêm das nossas próprias medições no banco de dados em produção, não de raciocínio genérico.
O mais importante antes dos detalhes: a tabela atualmente tem cerca de 219556 linhas. Cada regra abaixo reduziu esse número, e consideramos isso uma melhoria, não uma perda.
Regra 1. Sites de trade não contam como vendedor
Em algumas plataformas o preço não é dinheiro, mas uma avaliação do item para trocá-lo por outro. Ali não dá para vender por dinheiro de verdade, então tratar esse preço como receita é incorreto.
A medição mostrou a escala: deixar os sites de trade entrarem no cálculo como lado vendedor gera 41719 negócios e um milhão e meio de dólares de "lucro" de papel — mais do que todos os outros marketplaces somados.
Por isso o lado vendedor é desligado para sites de trade. O lado comprador continua: ali você realmente pode comprar com dinheiro, e isso é uma transação honesta.
Regra 2. O vendedor superfaturado — "N contra um"
A segunda camada de números bonitos é um único marketplace com preço visivelmente acima de todos os outros. A diferença parece lucro, mas significa que esse preço específico está inflado.
Aqui a evidência não é um limite absoluto, e sim a concordância entre marketplaces independentes. Se um item tem pelo menos três fontes e o preço de venda é o dobro da mediana das demais, esse marketplace não conta como vendedor para esse item.
| Número de fontes | O que fazemos | Por quê |
|---|---|---|
| uma | sem avaliação | nada para comparar |
| duas | sem avaliação | a mediana degenera |
| três ou mais | comparamos com a mediana das demais | a concordância de várias é evidência |
Atenção ao limite: a regra avalia um item, não o marketplace inteiro. A mesma plataforma pode estar inflada em uma skin e perfeitamente normal em outra.
Regra 3. Preços-fantasma nunca chegam ao banco de dados
Às vezes uma fonte retorna um preço fisicamente impossível: uma caixa a cinco centavos ao lado de um preço na casa das centenas de milhares, um item a três dólares ao lado de onze mil. Isso não é mercado, é unidade trocada ou uma resposta mal interpretada no parsing.
Esses preços são cortados já na importação, antes de entrarem no cálculo, e a filtragem é registrada no log — filtrar em silêncio é mais perigoso que o próprio preço-fantasma, porque esconde o momento em que itens normais começam a se perder.
Não consideramos essa defesa concluída: a última checagem encontrou 49 nomes em que a diferença entre marketplaces passa de cem vezes, e dois nomes em que passa de mil vezes. É trabalho em aberto, não um problema resolvido.
Regra 4. Uma fonte morta significa um preço congelado
Se um marketplace para de responder, seus últimos preços continuam no banco de dados e parecem atuais. Num mercado em queda, esse preço congelado vira automaticamente uma "pechincha" e sobe para o topo.
Por isso fontes mortas ficam numa única lista, são cortadas na importação, excluídas na escolha do preço e denunciadas em alto e bom som no log do ciclo de coleta. Quatro pontos — porque um nunca é suficiente: sempre aparece um nono leitor dos dados.
Regra 5. O lucro é calculado a partir de anúncios, e dizemos isso abertamente
Essa é a limitação mais importante, e quase ninguém fala sobre ela.
Um item tem dois preços: pelo qual é anunciado e pelo qual alguém compraria agora, na hora. O segundo está disponível em apenas uma de vinte fontes e cobre cerca de 9,4% do catálogo. Então, em 91,1% das linhas do cálculo, o preço de venda é um preço de anúncio.
O que isso significa na prática: o lucro exibido está correto para uma venda paciente e superestimado para uma venda hoje. Pela nossa medição, uma venda instantânea devolve uma mediana de 81% do preço anunciado.
Veja como isso está agora, com dados em produção:
O que sempre entra no cálculo
A taxa do marketplace vendedor — descontada do valor da negociação, não do lucro. A taxa e as condições do marketplace comprador, quando alteram o preço de entrada efetivo. Trade hold: uma negociação com atraso na entrega é sinalizada, porque o preço pode se mover durante esse período. A atualidade dos dois preços: uma negociação só é tão atual quanto o mais antigo dos dois preços. Profundidade do book de ofertas, quando conhecida: uma única ordem de compra não é um mercado.
O que deliberadamente NÃO fazemos
Não ajustamos o topo da lista. Percentuais bonitos nas primeiras linhas quase sempre significam um defeito nos dados. Preferimos remover uma linha a mantê-la por estética.
Não prometemos que uma negociação vai se concretizar. Entre o cálculo e a sua negociação ficam o tempo, o trade hold e outro comprador que pode chegar primeiro.
Não contamos como lucro o que não pode ser sacado. Dinheiro dentro de um ecossistema fechado e dinheiro no cartão são coisas diferentes, e não podem entrar na mesma coluna.
Uma forma prática de testar qualquer serviço de comparação, incluindo o nosso: pegue uma linha do topo da lista e veja quantos marketplaces independentes concordam com o preço de venda. Se só um concorda e o resto está visivelmente mais barato, você está vendo um vendedor inflado, não um achado.